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sábado, 27 de abril de 2019

Sons da praia


 Diário Sonoro

É incrível perceber todo o movimento dentro de casa antes de ir para a praia, todas as risadas, toda a procura pelo protetor solar, pelo bronzeador, pelo biquíni ou pela sunga. O “champ” quando alguém abre a geladeira pra procurar comida ou bebida pra levar pra praia. O som da chave quando se abre a porta pra sair e o grito de quem está na frente pedindo pra andar logo, até parece que a praia vai sair do lugar.
O som ritmado das respirações das pessoas que estão na expectativa de chegar logo na praia, o som dos passos que faz “papapa” com suas sandálias rasteiras, mais risadas umas mais graves, outras mais agudas, outras entre essas duas. Mas além dos passos escutasse gotas é a chuva se pronunciando toda quente e grossa, acabando com a diversão? Talvez pelos rostos frustrados ou pelos sons fracos dos suspiros. As gotas lembram para muitos toda essa derrota para muitos daquele grupo sempre acontece algo de ruim quando a chuva vem, mas não nesse dia, pois a diversão tomou conta de tudo antes disso. Escutasse sons de passos molhados “slap”, “slap” uma corridinha rápida sempre ajuda, a chuva também vem para refrescar os dias quentes.
Finalmente, sons de passos na areia fofa um som grave e curto, sorriso no rosto gritos de diversão, barulho agudo de cadeiras abrindo, vozes agudas e graves se misturando, os sons dos pássaros, o som do mar, é possível dedicar uma página inteiro somente para o som grave das ondas batendo na praia tem todo um ritual, uma sinfonia, uma composição escrita nos mínimos detalhes para serem cantadas apenas pela areia junto com os pés. Penso que às vezes os famosos cantos das sereias podem ser o som das ondas no mar.
Além disso é possível dedicar nem que seja uma introdução para as conchas e búzios que essas ondas trazem para a areia, elas são como se fossem pequenas amostras do som do mar para levar para casa. Um som agudo quase metálico quando juntas, um som grave quando cai sozinha na areia, ou tem aquelas que funcionam como um disco gravado do exato som das ondas batendo na areia.
Fim de praia; saímos da praia, mas ela não sai de nós. Não só pela areia nas roupas e nos pés, mas pela sensação que o mar deixa no ouvido, parece até que o ouvido virou uma concha, daquelas que se ouve o som grave do mar. O som agudo das cadeiras sendo fechadas, as roupas que resvalam no corpo com seus sons suaves, as risadas de satisfação, o relaxamento como de um bocejo grave e macio, o som grave e macio de passos na areia.  

domingo, 21 de abril de 2019

Passos e vozes

Diário Sonoro

Ouço um pá, pá, pá leve, longo e ritmado na escada, um barulho que já conheço, o som de passos da minha mãe, são passos firmes de quem sabe o que tem que fazer, passos cansados de quem carrega todo o mundo nas costas, passos de mãe. Os passos são como uma partitura ritmada sobre a vida de alguém, preste atenção nos passos e você vai saber muita coisa.
Escuto o pá, pá, pá forte e ansioso na escada, dessa vez é a minha irmã chegando em casa ( já disse pra ela que ela tem passos de super-heroína) passos ansiosos, assim como a pessoa que pertence a eles, são passos de que nada está bom, mas que podem ficar com a palavra certa de alguém, são passos de uma pessoa pequena fisicamente, mas grande em espírito.
Assim como os passos, as vozes mostram muito sobre uma pessoa, existem inúmeros estudos sobre a voz, é possível mudar o comportamento de alguém pela voz ela tem mil e uma utilidades. Existe uma infinidade de tons de voz, mas na minha observação nenhum é igual ao outro, e assim como os passos é possível identificar alguém pela voz mesmo se a convivência não for tão constante, me parece que as vozes ficam marcadas na mente.
Quando para-se para observar esses dois sons distintos juntos parece que é possível construir um ritmo, um som único, uma partitura. Depois de observar os meus próprios passos e voz por um período, construir uma partitura mental… Tá- sons de pés no chão- tá-pausa-tá- caminhada-tá-bom-tá-dia-tá-tá-mais rápido-grum-grum-som da garganta-estouatrsada-som alto e agudo da voz-tá-tá-chomp-chomp-tá-tá-tá-pausa-tá-tá-tá.
P.s. na minha cabeça a partitura estava melhor









Motores



A tarde
A tarde dentro de casa sempre é muito calma e silenciosa, às vezes se escuta um latido de um cachorro, ou crianças brincando, vozes de pessoas se misturando a sons de pássaros, o som grave, longo e preguiçoso do motor da geladeira. Mesmo o som grave e breve do liquidificador não perturba essa calmaria que se instala, a tarde é algo fascinante parece até o momento que o dia tirou para meditar de tão tranquila.

Na rua
O som grave e longo do motor de uma moto não supera quase nenhum motor da cidade, a não ser pelo som do motor de um caminhão, é possível se assustar quando um caminhão passa no trânsito é como se ele dissesse “veículo grande passando, saia da frente”, qualquer carro fica intimidado com todo o seu som grave e longo. Os carros coitados, nem o motor é possível ouvir com clareza, um som fraco quase encoberto pelo som dos pneus e das buzinas..
Nenhum motor é igual a outro, às vezes percebo em minhas observações que cada motor é a cara do dono que o dirige, por exemplo, no ônibus os motoristas mais divertidos e abertos a conversas dirige ônibus com motores com sons mais grave e curto, já os motoristas mais fechados dirigem ônibus com motores que tem som mais fraco e longo. É claro que isso pode ser somente a minha imaginação, mas é uma coisa a se pensar.
É preciso ter um ouvido relativamente bom, e ter atenção redobrada ao que se quer ouvir, pois a cidade não permite clareza em sua orquestra, os sons dos motores se juntam e ao mesmo tempo se perdem é como se formasse junto com todos os outros sons da cidade um único som apenas.

A noite
Em casa, a noite é silenciosa, mas um acalmaria mais ansiosa. A noite é o momento em que a maioria das pessoas está em casa, é onde o motor dos objetos parece trabalhar com mais empenho e os sons ficam mais constantes e acelerados. O motor da geladeira parece ficar mais alto, o do liquidificador grita mais alto. É preciso acelerar as coisas pra não tomar o tempo da manhã do dia seguinte, só se percebe quando parou quando se escuta o tic-tac do relógio, é hora de dormir. Mas a geladeira continua mesmo na madrugada, fazendo o seu show solo.

P.s. escutar sons de motores é uma das coisas mais complicadas que eu já fiz na vida.


quinta-feira, 7 de março de 2019

Diário sonoro

Sons do cotidiano

Terça, 05 de março de 2019, 6h21.

A cortina faz um som suave quando resvala na porta da varanda levemente aberta o vento ainda é fraco pela manhã, o galo canta longe um som grave e curto, esse som se mistura com o pio suave dos pássaros. Na cozinha escutam-se sons de vida as panelas tornam-se uma verdadeira orquestra na cozinha quando batem nas grades do fogão é o som mais alto da casa um som grave o que incomoda quem quer voltar a dormir.
O gemido das dobradiças da janela se abrindo parece um choro anunciando que hoje não teremos sol, portanto não teremos praia também e isso se confirma com um barulho grave, como se fosse um vozeirão que anuncia um dia de céu fechado, um trovão. O barulho grave que a porta da varanda faz ao ser aberta, como se fosse um motor de caminhão é quando a mãe pede sem palavras que o dia já nasceu e daqui apouco é hora de acordar.
As vozes da televisão sussurram no ouvido pela manhã, elas dizem bem baixinho que os sons da noite já foi faz um tempo, agora é preciso ouvir os sons do dia que segue. Os sons do dia são quase estrondosos sempre estão dizendo alguma coisa, mesmo o barulho agudo da caneca batendo na mesa de mármore diz "acorda que o dia já raiou". Isso se confirma pelo último vestígio de noite que é quando a chave é virada na fechadura para abrir a porta, parece com o som agudo de sininhos.

Terça, 05 de março de 2019, 14h20.

A tarde parece tudo calmo, mas no feriado tudo é uma paz na cidade. Mesmo a música do vizinho tem certo silêncio, apesar do volume alto ser o mesmo de todas as outras vezes que tocou agora ela parece mais baixa. O som dos carros batendo a lataria no quebra-molas parece pequenas bombas explodindo no silêncio da tarde, um som grave que assusta os despercebidos. Em casa até a televisão continua sussurrando e as torneiras parecem até sons de chuva fina batendo no telhado. O cochilo desta vez vem mais fácil dá até pra usar o som baixo das vozes como música de fundo, mesmo com a explosão no quebra-molas.

Terça, 05 de março de 2019, 18h16.

A televisão volta a ativa, suas vozes estão mais altas agora, os grilos cantam lá fora anunciando que a noite chegou, dentro de casa pode-se ouvir os sons abafados e baixos do interruptor quando se liga a luz. É possível ouvir o som grave do café caindo na garrafa depois de feito, anunciando que é hora de comer para aguentar a noite de sono que está por vir. A janela se fecha, a porta da varanda é encostada, para mais uma noite e por fim a chave gira na fechadura trancando a porta são os sininhos novamente, agora eles anunciam que é hora de dormir.

Terça, 05 de março de 2019, 1h30.

Escuta-se um silêncio quase mortal, se não fosse pelos grilos e pelo som grave e agudo que se misturam nas vozes dos cachorros do vizinho, ou pela geladeira que se anuncia de vez em quando na cozinha com sua voz grave de fantasma. De vez em quando a buzina aguda e longa da motocicleta do guarda que faz a segurança da rua faz sua passagem em busca de ladrões ou talvez fantasmas, pode-se encontra de tudo no silêncio da madrugada. Talvez dizer que tem som no silêncio é meio contraditório, ou talvez o silêncio que se conhece na cidade só é silêncio com estes sons.